Irmandade Inquisidora

terça-feira, agosto 01, 2006

Êxodo |†| O Enigma dos Cordeiros Voadores

Aarão em pleno deserto numa noite sem lua, olhava e corria fugindo assustado de estrelas que se moviam no céu. Desta vez, não eram as frequentes visitas de anjos cinzentos vindo do céu, eram antes centenas de casais não identificados, vestidos com camisa branca e calça preta com quatro asas em formas de paus rodando sobre os seus eixos. Eram seres aterradores, ao longe nenhum ruído se ouvia, mas ao perto pareciam gralhas com gaguejante sotaque Nepalês que após um efeito Doppler aterravam estrondosamente em redor do profeta explodindo. Aarão decidiu por livre-arbítrio entregar-se nas mãos do seu destino, dentou-se no chão e esperou ser atingido por um daqueles seres voadores.

Através dos seu óculos de fundo de garrafa, olhava incrédulo para o céu sem conseguir determinar que seres eram aqueles. Para além de uma violenta miopia no olho direito e de sofrer de claustrofobia do esquerdo, também não conseguia fechar os olhos, os ditos cujos de Aarão faziam turnos de 0.99 segundos, enquanto um via, o outro cegava. E, já cansado e cedendo ao sono, fora atingido por um dos seres voadores, ficando sem braços e pernas.
O ser abraçou-se a Aarão e falou-lhe ao ouvido palavras meigas imputadas de felicidade que confortaram parte de sua angustiada alma, era uma “felicidade vinda de algo superior à Nossa própria compreensão humana” - disse o ser. Aarão com o tacto explorou aquele corpo que o abraçava tentando perceber do que se tratava, e gritou: É UM CORDEIRO VOADOR!!
Aarão chorava, sua alma era projectada num lacrimoso squirting, sentia-se mais leve, mas continuava abraçado ao cordeiro voador e olhando ansioso para o céu, pensando, ainda perturbado, nas suas angustias existências mais intimas. Questionava-se: “Serei homem, serei mulher, o que sou? E, estes cordeiros que caem do céu, como é que eles se reproduzem?”

Abraçado ainda ao ser voador, Aarão num gesto inspirado e mágico, colocou seu dedo indicador num orifício dos óculos carregando inadvertidamente num botão. Os óculos passaram do OFF para o ON e num devaneio psicadélico de efeitos especiais, a noite transformou-se num intenso luminescente dia. Agora seus olhos viam na perfeição, e numa histérica felicidade Aarão cantarolou “Oh Nikita You will never know anything about my home...”. Mas, continuaram os devaneios psicadélicos da realidade, e logo de seguida se fez noite de novo. Entretanto, Aarão graças à intensa luminescência daquele estranho dia em horas nocturnas, queimara as retinas e saltara-lhe as córneas dos olhos e, ficara totalmente cego.
Algo intensamente transcendente acontecera, nos poucos segundos em que a noite passara a dia, Aarão via perfeitamente; e, apercebera-se que os seres voadores não eram cordeiros, mas eram...
Isto é, a angústia existencial de Aarão passara a ser: “Sou homem e sou mulher, sei o que sou. Mas, os Mormons como é que se reproduzem?!”.


 
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