Irmandade Inquisidora

segunda-feira, julho 17, 2006

Conjuntura ao traço Feminino I

Numa noite sossegada, onde o cheiro desagradável a charutos pairava no ar enquanto cartas ludibrias se semeavam no soalho do meu retiro, o Inquisidor acordou-me com ímpeto cheio de pragmatismo, procurando um obséquio pessoal da minha finíssima pessoa. Procurou compreender aquilo que nenhum homem à face da Terra conseguiu compreender: as mulheres. Como prestaram atenção eu não me incluo nos homens, mas sim nos Homens, e é neste pormenor que se explica a razão pela qual o Inquisidor me procurou. Por sensatez inerente às minhas coerências ideológicas recusei prestar tal serviço a uma só individualidade, e resolvi antes iniciar uma nova crónica com selo da Irmandade, que vou apelidar de: "Conjuntura ao traço Feminino". Para iniciar esta divulgação ao mundo masculino, compreendi que deverei começar pelo Génesis.
Pessoalmente, este capítulo do Velho Testamento é demasiado ambíguo e todavia incoerente, por presunção decidi reformular um conjunto de novas e polémicas ideias, que espero serem revistas pelos Cardeais do Vaticano.
Depois de horas de estudo sobre antropologia, cheguei à brilhante conclusão que os homens descendem de hominídeos primitivos enquanto Deus fez a mulher. Provas físicas rapidamente se encontram na quase ausência de cobertura peluda das fêmeas, e é só um exemplo (no caso de algum sujeito triste se lembrar de histórias intrigantes com pêlo, aviso desde já, que não se tratam de mulheres, mas sim erros naturais que ainda subsistem à extinção). Deus criou Eva no Jardim de Éden, recorrendo-se das técnicas mais perfeccionistas possíveis, e após terminar o seu trabalho, a obra-prima com auxílio do reflexo de Eufrates, explorava aquele portento físico, torcendo-se com genica para admirar aquele magistral traseiro, tacteando aquela primorosa cintura, afagando os tais voluptuosos seios, ajeitando aquele gracioso cabelo e sorrindo com satisfação pessoal. Enquanto aquilo, ao longe, um invasor do Paraíso Terrestre analisava aquele ser perfeito, o hominídeo cogitava seriamente em abandonar a sua macaca em troca da perfeição. Deus pediu a Eva para dar nome às coisas da Terra, e ela cumpriu. Chamou céu de céu, árvore de árvore e chamou de macaco babado de homem. O homem aos poucos aventurou-se, levado pelo seu libido, a tentar contactar Eva para a convidar a criar uma nova espécie à qual se daria o nome de Humanidade. Ela sorriu e pediu tempo para reflectir no assunto. Aceitou finalmente para ocupar a sua vida solitária e para se divertir com as ridicularias primitivas do macho.
Desde desse dia que o homem tem tentado atingir o inalcançável patamar da perfeição que a sua consorte se fixou. Mas a pedido da mulher, Deus secretamente enviou para a Terra uma nova casta à qual se apelidou de Homem, para satisfazer as insaciáveis necessidades das mulheres. Termino este capítulo com um apelo aos homens: Por favor, deixem o trabalho para os verdadeiros Homens.
Um Amém †.

(texto do Irmão Público)


 
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