Irmandade Inquisidora

segunda-feira, abril 17, 2006

O Fim

A Parábola.

Despertado pelas malogradas vigílias que me atormentam de noite para noite, cogitei no milagre do subconsciente. Uma voz murmurava incessantemente pelos corredores da razão, perdendo-se entre devaneios caminhos que divagavam numa procura. Nunca atingi nenhum propósito, nunca percebi a tal procura, nunca encontrei o sentido daquele divagar. Mas de noite para noite, sucedia o mesmo acontecimento sem que houvesse alguma iniciativa contraditória. Eu estava afoitamente preso a um padrão racional onde brotava uma extensa rede conceptual que se emaranhava numa complexidade de sentimentos e emoções. E cada vez que me consciencializo destes pormenores, compreendo que estou sozinho nestas dúvidas infundamentadas que apelam uma reestruturação da razão humana. É preferível imaginar questões fúteis como penteados, intrigas, o trabalho e afins, mas numa perspectiva fria essas questões não são nada mais que matéria leviana sem importância para as verdadeiras crenças da nossa raça.

Nós, seres humanos, não somos objectos especiais de uma criação divina, nem tão pouco somos animais como quaisquer outros. Temos um dom único, que geralmente se confunde com o conceito de inteligência, mas este conceito ou está mal definido ou então não nos decreta como Humanos, pois cientificamente ficou provado que outros seres terrestres denunciam formas de inteligência primitiva. O nosso privilégio, antropologicamente escrevendo, está na abstracção que é para todos os casos um conceito puramente humano. Nenhum outro ser consegue separar mentalmente uma parte de um todo, com excepção ao Homo Sapiens. É neste ponto que biologicamente se ramificaram os hominídeos Homo Sapiens e Homo Neanderthalensis, e foi a diferença de estrutura mental que extinguiu um dos ramos, permitindo ao outro se desenvolver em novos estados racionais.
Contudo, os apelos meramente animais de um ser divido entre a razão e a necessidade biológica, atrasaram o seu desenvolvimento cognitivo através de indigências relacionadas com um proteccionismo exagerado: a religião e o despotismo. O ser humano limitou-se a ele próprio, talvez por ter receio de controlar o instrumento mais poderoso que havia, há e haverá na face da terra: a razão cognitiva.
Historicamente é possível localizar uma época que conduziu a um exponencial crescimento nas faculdades do conhecimento: A Grécia Antiga. Mas o que se sucedeu há vários séculos não foi obra do acaso, mas sim uma consequência de uma nova filosofia de vida. Se a descoberta do fogo permitiu aos primeiros hominídeos alcançarem a abstracção necessária para sobreviverem, a descoberta de uma paz social e de uma democracia urbana inovou a mente humana na procura das respostas às questões relevantes.
De novo as fraquezas do homem se sobrepuseram às necessidades humanas em contingências agrupadas em sentimentos de proteccionismo e de ordem irracional.

Há séculos antecedentes, escreveu-se que a religião seria o ópio do povo, eu proponho que a sociedade é a seringa da humanidade. Nós, seres humanos, estamos fadados a um limite imposto por nós mesmos, estamos condenados a uma parametrização falsa de conceitos falsos e de necessidades nefastas.
Entre alguns estudos que alimentam uma sede intelectual que necessito para compensar o tempo que ainda disponho e que se apresenta extremamente limitativo comparando à maioria dos que me rodeiam, achei um bode expiatório que deverá arcar as responsabilidades de uma sociedade moderna sem bases para desenvolver a razão imperativa. O malogrado dá-se pelo nome de Réne Descartes e influenciou um legado de seguidores em premissas possivelmente erradas. Pela primeira vez o ser humano, como ser único e homogéneo, dividiu o pensamento em duas facções: razão Ocidental e a razão Oriental.
Descartes, viajador e visionário, acreditava que a razão humana devia estar solidificada em verdades absolutas que teriam de percorrer um processo isento e imparcial para finalmente serem definidas como verdades inquestionáveis. Mas o dito Francês, olvidou-se de um pormenor, o processo isento e imparcial nunca seria verdadeiramente isento e imparcial quando pessoalmente ele não compreendia alguns factos que ultrapassam o homem, a Natureza, e sem se questionar justificava com base em crenças religiosas.
Através deste agravo, a razão humana seguiu um novo caminho quase irrecuperável, em que o homem se definia como um objecto de produto mental separado do resto da realidade. Exemplificando: um sujeito quando fixa um objecto, desloca o seu consciente num espaço entre o sujeito e o objecto, e depois retorna ao seu local de origem, procurando na sua rede conceptual o significado do objecto fixado. A isto denomina-se de razão Ocidental. O homem está separado do resto do mundo.
A razão Oriental acredita que o homem pertence ao mundo, em conjunto com todos os objectos, numa harmonia equilibrada que não deve ser perturbada.
Réne Descartes adulterou a razão cognitiva em processos matemáticos, desprezando conceitos que não entendia, e consequentemente provocou alterações significativas no ensino francês e mais tarde no ensino globalmente ocidental, realizando uma perda abrupta nos conceitos de abstracção, que em tempos contemporâneos ainda se subsistem na pele artística e cultural.

Hoje, o Homem não entende completamente a ideia abstracta sem desconfiar que a entende parcialmente quando se ri de uma anedota.
Hoje, o Homem confia que a abstracção está entregue a uma elite capaz (os artistas) como confia que as questões sociais estão entregues a uma outra elite capaz (os políticos).
Hoje, o Homem vive em clima de terror psicológico, levando-o acreditar que estará seguro se seguir as normas impostas por um sistema que não colapsa.
Hoje, o Homem é ensinado a não pensar, substituindo a verdadeira razão cognitiva por um agrupamento de preocupações fúteis.
Hoje, o Homem é controlado, preso, fechado, domesticado pelo Homem.
Temos que ouvir e entender os murmúrios que ecoam na nossa mente, temos que largar os preconceitos que nos impingem a Lei do Não Pensar, temos que nos libertar de nós próprios assumindo a cultura humana que nos representa na realidade, temos que tomar à força o subconsciente que nos cega a realidade crua e fria, formando um envolvente e imenso nevoeiro, temos que assumir a verdade e a mentira que nos simboliza nesta imensa cascata social, temos que urgentemente reestruturar a razão humana antes que a saída deste enorme buraco desapareça com a distância, temos que procurar as verdades puras, temos que nos salvar.

O caminho está traçado, a verdade pura está ao nosso alcance, a razão humana é ainda um instrumento, só nos falta abrir os olhos e percebermos que aquilo que vemos são as nossas sombras projectadas numa parede, e que se à nossa frente há sombras, atrás há luz! Mas, e nestas filosofias há sempre um mas, nada disto será possível se não houver uma discriminação mental.
Por discriminação mental, defino como o processo que me permite duvidar de toda a minha rede conceptual e de todas as minhas faculdades mentais, que me permite desconfiar da minha consciência e das segundas intenções que influenciam os meus comportamentos e as minhas acções, manipuladas pelo meu subconsciente. Assumir todo e qualquer erro é o caminho que devo seguir, assumir-me como um falhanço natural é o passo para o meu aperfeiçoamento intelectual. Devo atingir o máximo de frieza pessoal para não me deixar manipular por conceitos atractivos mas falsos, ou por dicotomias falaciosas: bem ou mal, amor ou ódio. A frieza é o único meio para compreender a realidade oculta, sem me deixar cair em tentações emocionais, a frieza é o único conceito que me impermeabiliza contra a metafísica exagerada.
Podem acusar-me de ser frio, insensível, cínico, mentiroso, contraditório, hipócrita, mas na busca da verdade absoluta ninguém me acompanha a passo. A sede da verdade absoluta corre-me nas veias, e articulando a mente fria em processos demasiado avançados para serem compreendidos (quanto mais refutados!!) hei-de atingir uma exprobração universal a todo a rede conceptual que nasceu em mim e terminará em mim. Seguindo a razão humana deverei controlar todas as variáveis que estão dispostas numa enorme equação natural e não matemática, manipulando as minhas necessidades primárias. Apelidem-me de arrogante, de pretensioso, de radical, pois eu irei definir-me de ambicioso, de intelectual, de alucinado.

Do chão emadeirado, passei noites a vaguear, a questionar os meus porquês em vez de os tentar responder, sem aviso e ajoelhando-me perante a divina sabedoria percebi que estou a milhões de anos-luz das gentes normais em simplesmente assumir-me como um erro. Sou um erro e não tenho óbvios problemas com isso, pois entendo que a partir dessa verdade absoluta posso cumprir o plano divino da minha perfeição. Se não acredito em criadores e se comprovo com o intelecto que existe uma realidade (que não aquela que vemos!) então porque não me auto-denomino de Criador? Quem conheço melhor do que a mim próprio para nomear o Criador? E se a realidade que vejo não é aquela que me circunda, então não fui eu que a criei para proveito próprio? Eu sou Deus! Deus de mim e Deus do mundo que criei! Sou divino e sou um paradoxo!
Como posso ser perfeito se para atingir esse facto assumi-me como imperfeito? Questão paralela quando percorro caminhos ainda menos lúcidos: faz sentido nascer para morrer? O início contrário é o fim oposto? A frieza faz-me acreditar que a mente ainda não se separou das questões da metafísica, e que para todos os efeitos eu não atingi nada, embora tenha percebido que há de facto algo para atingir e que não se mistura com frivolidades quotidianas.
A cabeça lateja fragmentos da razão, pulverizando a ignorância cega, numa procura infinita das verdadeiras intenções humanas num mundo pintado com as cores do arco-íris. A depressão é a bênção da intelectualidade, e com uma mente instruída sobre a base de um frio processo cognitivo, vou roçar o céu ilimitado.
Liberto-me através dos pulsos, a minha essência pinga o chão! Estou a fugir a uma realidade para entrar numa matriz, estou a construir a ponte que me vai ligar o consciente e o subconsciente, e farei a viagem da minha vida pulsando o sangue livre, segurando a arte que me pertence. E todos que se aperceberão será tarde de mais, são caminhos sem retornos que ninguém compreenderá a sua essência. E quem ache que compreendeu as minhas divagações, desengane-se. Não sou deste mundo, a minha genialidade não vos pertence, a minha essência não se visualiza. A Brutalidade da doença apagou-me a mediocridade de uma vida limitada em subjugações inúteis, e quem não viveu o que vivi nunca compreenderá. Ler palavras não implica percebê-las. Assumam o erro.

Um Adeus.

2 Comments:

  • O que postaste num outro blog é de uma burrice só explicada pela teu galinhismo, o que explica tudo.
    és BURRO, PA!!!

    By Anonymous Anónimo, at 19 abril, 2006 14:51  

  • De facto, o Irmão Púbico (Público é para disfarçar) é conhecido pelas senhoras por ter coisas de burro! .... O homem já anda a espalhar a sua fama para outros sitios? :| O choque!

    By Blogger Irreligious, at 19 abril, 2006 21:43  

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