Irmandade Inquisidora

domingo, fevereiro 12, 2006

Efeméride III

O meu osso externo do antebraço.

Como ilustre convidado de um programa de rádio, apresentei-me ilustrado com quadradinhos amarelos no meu hábito de chupeta (ou então de frade), preparado para atingir a iluminação fanática das minhas seguidoras.
Frontalmente ao meu queixo exibia-se o imponente, viril e másculo microfone à espera de uma iniciativa minha; Vagarosamente abri a boca e aproximei-me, de olhos fechados, daquele instrumento varonil, e antes mesmo da influência física... arrotei. Sorri sagazmente enquanto a equipa técnica mostrava-se supreendida e até mesmo chocada (um minúsculo urso brotava de um ovo) com o meu gesto pouco civilizado. Percebi que o arroto dado fora em Directo para alguns milhares de milhões de leitores, e provavelmente de ouvintes, e para rectificar o erro aproximei-me do microfone e arrotei de novo.
O locutor do programa, ainda meio atrapalhado, apresentou-me como o mais sábio da Irmandade, o mais sexy do universo e o mais rosa das rosas, e nisto o pequeno ursinho berrava "Navigator! Navigator!" que em bom português significa "¿Mamá donde usted está? ¿Mamá donde usted está? ¡el hermano mente!". Tentei desviar a sobracelha, para expressar facialmente o desprezo que sentia pelo ursinho, e numa tentativa falhada desviei erradamente a sobracelha numa expressão de amor maricas, e nesse momento vários técnicos de som piscavam-me os olhos. Do outro lado da sala, alguém picava cebola.
Uma pergunta tinha sido dirigida a mim, e em instinto defendi com uma estirada de mão direita. Aplausos! Mui Obrigado, mui obrigado! O locutor completamente estupefacto com aquela parvoíce, e não idiotice, insistiu com a pergunta: "Porquê Público?", não havia escapatória, a resposta teria que ser dada: "Não faço ideia".
Estivemos em silêncio durante algum tempo, até termos sido interrompidos por uma chamada em directo. Enorme estrondo do outro lado da linha e um posterior Pi Pi Pi. Para o comum carteiro era um arroto em intervalos de 3,1415 segundos, para o comum lápis era somente a morte de um ouvinte em directo devido a uma paragem cardiaca, para o simples eu era a voz de Deus.
Nova questão: "Quais os seus planos no seio da Irmandade"; resposta simples e porém estúpida, lesiva e censurável:"Envolve a sua mulher, filha, irmã e provavelmente a sua mãe". E por surpresa minha, o entrevistador gostou da resposta e piscou o olho para o Produtor do programa (não havia cebolas!).

A entrevista terminou com umas palavras heróicas encaminhadas para o Irmão Iluminado: "A tua irmã!?".

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