Irmandade Inquisidora

domingo, janeiro 08, 2006

Efeméride II

Fui Enrabado!

Após uma tarde empregue em meditações tântricas, essencialmente para conseguir distinguir os ramos do Tantra orgástico, usualmente denominados de "mão esquerda" e "mão direita", compareci ao mítico jantar de convivência eclesiástica. A Irmandade Inquisidora fora convidada a apresentar-se no Vaticano com a honrada presença do Papa, entusiasta das nossas convicções teológicas.
Dentro da Santa Sé, debaixo das imponentes arcadas apoiadas nas centenas de colunatas que numa visão frontal apontavam para um ponto de fuga, estranhamento situado na zona pélvica do Sumo Pontífice, retratado num placar em proporções gigantescas no fundo da Sala, estava uma majestosa mesa para uma pomposa refeição (coisa única, e entre nós, as refeições no Convento da Ordem sabe a... algo mau).
O jantar era simples: Feijão Frade com atum enlatado. Quando me ia levantar para fazer o discurso exordial da nossa renascida Ordem (e o Irmão אלוהים murmurou), larguei uma flatulência sonora expelida pelo ânus tão possante que se ouviu nos Himalaias e que separou a minha alma do meu corpo!
A minha matéria incorpórea voava lentamente sobre a mesa enquanto o Inquisidor fixava o meu corpo desalmado em atitude de reprovação. Compreendi nesse momento que a minha alma era invisível, enquanto pairava na sala junto ao tecto. O Irmão Xanax acusava-me de desrespeito à Santidade Papal enquanto metade dos presentes afastavam-se por causa do mau cheiro. A Guarda Suíça levava o meu corpo para o cárcere do Vaticano e o Irmão Iluminado aproveitava a ocasião para sorrateiramente limpar os pratos vizinhos.
A panorâmica geral era cómica até que ao fundo da sala reconheço um Anjo que me observava; Azazel, filha do Arcanjo Miguel. Em atitude de desespero, tentei "nadar" para junto daquele Anjo de formas graciosas que me censurava com o olhar. Agarrei-me à sua cintura para não cair e aproveitei para tactear algo mais. A Criatura Celestial não gostou e resmungou em Latim algo incompreensível.
Senti a minha perna a ser agarrada, o Inquisidor! Como? Eu estava invisível! Ele levou-me para junto do meu corpo que estava abandonado nos mais obscuros calabouços e o resto está explicado no título.

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