Irmandade Inquisidora

quinta-feira, novembro 10, 2005

Crónica das Folgas I

Isabela

Verão de 1924, nos arredores de Coimbra. Quando eu e o meu colega de teologia Irmão Xanax fartávamos de tentar encontrar o nosso ponto G na masturbação virginal e bucólica, na sombra tenebrosa do grande Carvalho, íamos visitar sem hipocrisias e cinismo o nosso imerecido amigo Irmão Iluminado e a sua rutilante irmã.
Isabela de nome e Bela dos pés à cabeça, tudo nela fazia do Universo algo inexistente, era como comparar feijões a pombos azuis com favelas nas asas. Ela, Isabela, era incomparável no seu esplendor feminino, até nos dava vontade de mudar de sexo.
A visita era simples: um olá hipócrita e um sorriso cínico para o Irmão Iluminado, e depois uma escapadela para dar uma olhadela na nossa Isabela.
Lá estava ela a passar a ferro a sua roupinha justa e sensual, invariavelmente à nossa espera na sua habitual tranquilidade e quietação para saciar o nosso libido ávido de adolescentes desesperados e alucinados. Os nosso dedos desgovernados apontavam para a Bela, éramos levados a percorrer com as nossas mãos as curvas rijas, suaves e agradáveis do seu corpinho de 25 anos bem passados. Ela, de costas para nós, não expressava sentimentos nem demonstrava prazer ou incómodo. Fria e indiferente são conceitos que a definiam. Que Mulher! O nosso comportamento era completamente descontrolado, éramos animais esfomeados. A nossa respiração era acelerada, a nossa pulsação estava sem controlo, as tonturas ameaçavam um desfalecimento, gemidos leves cortavam o silêncio comprometedor e de vez em quando soltava-se um grito histérico, imediatamente dominado pela reprovação da consciência. Um dia arrisquei retirar as calcinhas com os dentes, ela desferiu-me um valente golpe na zona edificada, condenando-me por exorbitância lúbrica. Passei dois dias a urinar tijolos e a uivar dor.
A apalpadela da nossa Bela Isabela terminava quando um bolçar se fazia sentir nas nossas "hortas". Geralmente o primeiro a sentir era o Irmão Xanax, que corria a sete pés para a rua com a finalidade de dar leitinho aos gatinhos. Eu ficava para trás para lhe compor a saia, para lhe ajeitar o cabelo e para lhe apertar um botão esquecido da camisa. Terminava mais uma sessão em que eu abandonava a casa devagarinho com as pernas bambas despedindo-me com um até breve, ansiando uma resposta, um sorriso ou uma lágrima. Ela nunca me respondeu.

6 Comments:

  • Num tom ligeiramente diferente, um texto interessante de conteúdo e forma.
    Devo estar mesmo mal!!!!!!!!!!!! Achei ternurenta a descrição. Isto se esquecermos os gatinhos... LOLADAAAAAAAAAAA

    By Anonymous MataHari, at 10 novembro, 2005 00:14  

  • Passado tanto tempo como estará a irmã do nosso Irmão Iluminado?

    By Anonymous Irmão Inquisidor, at 12 novembro, 2005 15:10  

  • It is not known whether Flexeril passes into breast milk. Do not take Flexeril without first talking to your doctor if you are breast-feeding a baby

    By Anonymous Vicodin, at 11 fevereiro, 2006 09:28  

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