Irmandade Inquisidora

segunda-feira, outubro 23, 2006

Evagelho |†| Paixão de Cristo segundo Irmão אלוהים

PARTE I
Jesus desorientado ao saber que afinal sua prostituta mais em conta era lésbica e cheirava mal dos pés, refugiou-se no mundo negro da masturbação violenta. Nem os romanos, que outrora apaziguavam o seu desânimo investindo no profeta Jesus, agora queriam alguma coisa com ele.
Decidi oferecer-lhe um amuleto para o animar, mas na feira só tinham em tamanho XXL. Jesus agradeceu, de lágrima no olho abraçou com força o amuleto gigante e nunca mais o largou. Transportava o amuleto em forma de cruz para qualquer lado onde fosse; inclusive aos jogos do Benfica na Luz. Aquela cruz era o seu orgulho, era tudo para ele.
Infelizmente, seus dias de felicidade estavam esgotados. Jesus foi brutalmente assaltado e pacificamente agredido por um hipopótamo ateu em forma de âncora que lhe roubou o característico amuleto gigante em forma de cruz.
Agora, mais leve, mais tenso e com pensamentos homicidas; procurou por sua Maria Madalena para descomprimir a tensão. Ao entrar num quarto escuro, ficou a saber da nova tendência de Madalena por virgens; a figura feminina por baixo desta jorrava sangue vertiginosamente.
Jesus desorientado ao saber que afinal sua prostituta mais em conta era lésbica, e o cheiro afinal não era dos pés, mas sim daquilo que também não era azeite. Refugiou-se no mundo negro da masturbação violenta. Deprimido, procurou prazer com sua mão esquerda; mas, um órgão intrometeu-se, e a fricção provocou uma combustão espontânea, e morreu!

PARTE 2
Depressa a notícia espalhou-se por toda a Galileia, a Aljazira difundiu um especial em horário nobre - em que entrevistavam a vítima agora ressuscitada -, com o título: «O homem do amuleto gigante morreu».
A população indignou-se, procuraram o escumalha do hipopótamo e recuperaram o amuleto gigante. Seguiu-se uma imensa manifestação de alegria, milhares desfilaram em fila pelas principais avenidas com Jesus a encabeçar o grupo, feliz e orgulhosamente transportou o amuleto gigante às costas. Jesus caminhava e gritava furiosamente: “É MEU, SÓ MEU E NÃO EMPRESTO A NINGUÉM!”.
População comovida com tão grandiosa alma de Jesus, quis oferecer-lhe uma categórica acção do amor que sentiam por tão altruísta alma, e decidiram arranjar forma deste jamais se separar do seu amuleto gigante.
Então a população pregou Jesus à cruz de forma que este jamais a perdesse. Agradecido, este deixou-se morrer como presente aos presentes. Assim nasceu uma nova era da humanidade; a era do altruísmo, do amor, da compaixão, da beleza, da consolação, e dos assassínios em massa.

PARTE 3
Jesus, três dias depois de morrer, foi ressuscitado, mas não conseguia agarrar-se à vida. População dizia que era tão feliz que desistira de viver. Porquê que ele desistia de viver, se todos o amavam? Resposta encontra-se na qualidade dos pregos. Jesus continuou pregado ao seu amuleto gigante e nunca se separou do seu amigo, foi sempre leal até à morte.
Deus ressuscitou-o várias vezes, mas este continuou sempre leal ao seu amuleto nunca o largando. Foram tantos ressuscitamentos que Deus teve um esgotamento, tendo sido internado de urgência num hospital psiquiátrico. Já melhorou, mas a doença deixou sequelas. Deus sofre de megalomania paranóica psicopática, deixando de ter licença para exercer a sua profissão. Agora não é Deus que comanda directamente as leis do Universo, isso agora está ao cargo do Livre Arbítrio. Isso não é por acaso, Deus e o Livre Arbítrio outrora foram amantes. Deus não tinha prazer, inclusive, preferia o jacto do chuveiro; e foi descoberta em flagrante pelo Sr. Arbítrio.
Livre Arbítrio desorientado ao saber que afinal sua prostituta mais em conta era lésbica, e o cheiro afinal não era dos pés, mas sim da carne putrefacta dos inocentes. Refugiou-se no mundo negro do celibatarismo. Deprimido e isolado num convento, entregou-se à inércia das rezas em detrimento das acções, deixando os corpos dos inocentes a putrefactar no chão sedentos pela fome e miséria. E, em nome de Deus, a estes apenas se diz: “Ámen”; deixando-os morrer consolados com a ilusão de que irão para um tal de Paraíso.

Obrigado a todos Vós, e: Ámen!

segunda-feira, agosto 14, 2006

Êxodo |†| O momento no momento é subvalorizado


- Ezquiel, vamos ver TV?

- Sim.

[Tiff][TV é ligada no canal II]

Estou farto!

Quando nasci, disseram os sábios que eu seria um importante guia para enormes multidões de fãs, e iria mudar o rumo da humanidade. E assim aconteceu. Por onde esteja, alguém me perturba para que as salve das suas pérfidas vidas escravas de meia-dúzia de poderosos chulos, donos de quase tudo e todos. Viam em mim o seu Messias.

Quando inadvertidamente seduzi tantas pessoas com as minhas estórias, estava longe de me aperceber da forma cruel como elas viriam a ser interpretadas.
Metáforas, Imagens, Alegorias, para um escritor e orador como eu, não deveriam passar de ferramentas de apoio à comunicação e criação artística. Mas, perigosas ferramentas elas são. A subjectividade da interpretação que lhes estão intimamente relacionadas, são o meu pesadelo.

Agora, não aguento mais, sinto uma enorme culpa, minha consciência pesa, estou farto! Não que seja conscientemente responsável pelo que se passa, não o sou, mas como posso sentir-me bem comigo mesmo, quando: em nome da minha literatura, milhares de pessoas assassinam outras?

Os mais perspicazes já devem ter percebido, isto é um último adeus. Ninguém deverá sentir-se culpado por eu ter partido. Ninguém tem culpa. Mas, a apatia tomou conta de mim, já não sinto mais divertimento, nem encontro mais sentido: em escrever, em criar, em ser adorado, em contar estórias, em fazer filhos... O desejo de contribuir para um Mundo melhor através das minhas palavras, também se desfez-se. Neste imenso deserto vazio, que minha alma se tornou, que sobrou?
Nada. Apenas o desejo e a consciência que o meu desaparecimento será uma benção, para mim, e para o Mundo.

Do vosso querido Ma...

[púff][TV desliga-se]

- OH EZQUIEL, MAS SERÁ QUE NÃO HÁ UM FUSÍVEL QUE DURE MAIS DE 13 MINUTOS NESTA CASA?
- Carrega no ON.
- OHH!!

[tíff][TV liga-se no canal II]

...só resta dizer: Adeus Mundo cruel. Adeus.

- A TV ESTÁ UMA IMENSA PALERMICE! QUE TIPO DE OTÁRIOS É QUE VÊEM ISTO?
- Não sei!

terça-feira, agosto 01, 2006

Êxodo |†| O Enigma dos Cordeiros Voadores

Aarão em pleno deserto numa noite sem lua, olhava e corria fugindo assustado de estrelas que se moviam no céu. Desta vez, não eram as frequentes visitas de anjos cinzentos vindo do céu, eram antes centenas de casais não identificados, vestidos com camisa branca e calça preta com quatro asas em formas de paus rodando sobre os seus eixos. Eram seres aterradores, ao longe nenhum ruído se ouvia, mas ao perto pareciam gralhas com gaguejante sotaque Nepalês que após um efeito Doppler aterravam estrondosamente em redor do profeta explodindo. Aarão decidiu por livre-arbítrio entregar-se nas mãos do seu destino, dentou-se no chão e esperou ser atingido por um daqueles seres voadores.

Através dos seu óculos de fundo de garrafa, olhava incrédulo para o céu sem conseguir determinar que seres eram aqueles. Para além de uma violenta miopia no olho direito e de sofrer de claustrofobia do esquerdo, também não conseguia fechar os olhos, os ditos cujos de Aarão faziam turnos de 0.99 segundos, enquanto um via, o outro cegava. E, já cansado e cedendo ao sono, fora atingido por um dos seres voadores, ficando sem braços e pernas.
O ser abraçou-se a Aarão e falou-lhe ao ouvido palavras meigas imputadas de felicidade que confortaram parte de sua angustiada alma, era uma “felicidade vinda de algo superior à Nossa própria compreensão humana” - disse o ser. Aarão com o tacto explorou aquele corpo que o abraçava tentando perceber do que se tratava, e gritou: É UM CORDEIRO VOADOR!!
Aarão chorava, sua alma era projectada num lacrimoso squirting, sentia-se mais leve, mas continuava abraçado ao cordeiro voador e olhando ansioso para o céu, pensando, ainda perturbado, nas suas angustias existências mais intimas. Questionava-se: “Serei homem, serei mulher, o que sou? E, estes cordeiros que caem do céu, como é que eles se reproduzem?”

Abraçado ainda ao ser voador, Aarão num gesto inspirado e mágico, colocou seu dedo indicador num orifício dos óculos carregando inadvertidamente num botão. Os óculos passaram do OFF para o ON e num devaneio psicadélico de efeitos especiais, a noite transformou-se num intenso luminescente dia. Agora seus olhos viam na perfeição, e numa histérica felicidade Aarão cantarolou “Oh Nikita You will never know anything about my home...”. Mas, continuaram os devaneios psicadélicos da realidade, e logo de seguida se fez noite de novo. Entretanto, Aarão graças à intensa luminescência daquele estranho dia em horas nocturnas, queimara as retinas e saltara-lhe as córneas dos olhos e, ficara totalmente cego.
Algo intensamente transcendente acontecera, nos poucos segundos em que a noite passara a dia, Aarão via perfeitamente; e, apercebera-se que os seres voadores não eram cordeiros, mas eram...
Isto é, a angústia existencial de Aarão passara a ser: “Sou homem e sou mulher, sei o que sou. Mas, os Mormons como é que se reproduzem?!”.

segunda-feira, julho 17, 2006

Conjuntura ao traço Feminino I

Numa noite sossegada, onde o cheiro desagradável a charutos pairava no ar enquanto cartas ludibrias se semeavam no soalho do meu retiro, o Inquisidor acordou-me com ímpeto cheio de pragmatismo, procurando um obséquio pessoal da minha finíssima pessoa. Procurou compreender aquilo que nenhum homem à face da Terra conseguiu compreender: as mulheres. Como prestaram atenção eu não me incluo nos homens, mas sim nos Homens, e é neste pormenor que se explica a razão pela qual o Inquisidor me procurou. Por sensatez inerente às minhas coerências ideológicas recusei prestar tal serviço a uma só individualidade, e resolvi antes iniciar uma nova crónica com selo da Irmandade, que vou apelidar de: "Conjuntura ao traço Feminino". Para iniciar esta divulgação ao mundo masculino, compreendi que deverei começar pelo Génesis.
Pessoalmente, este capítulo do Velho Testamento é demasiado ambíguo e todavia incoerente, por presunção decidi reformular um conjunto de novas e polémicas ideias, que espero serem revistas pelos Cardeais do Vaticano.
Depois de horas de estudo sobre antropologia, cheguei à brilhante conclusão que os homens descendem de hominídeos primitivos enquanto Deus fez a mulher. Provas físicas rapidamente se encontram na quase ausência de cobertura peluda das fêmeas, e é só um exemplo (no caso de algum sujeito triste se lembrar de histórias intrigantes com pêlo, aviso desde já, que não se tratam de mulheres, mas sim erros naturais que ainda subsistem à extinção). Deus criou Eva no Jardim de Éden, recorrendo-se das técnicas mais perfeccionistas possíveis, e após terminar o seu trabalho, a obra-prima com auxílio do reflexo de Eufrates, explorava aquele portento físico, torcendo-se com genica para admirar aquele magistral traseiro, tacteando aquela primorosa cintura, afagando os tais voluptuosos seios, ajeitando aquele gracioso cabelo e sorrindo com satisfação pessoal. Enquanto aquilo, ao longe, um invasor do Paraíso Terrestre analisava aquele ser perfeito, o hominídeo cogitava seriamente em abandonar a sua macaca em troca da perfeição. Deus pediu a Eva para dar nome às coisas da Terra, e ela cumpriu. Chamou céu de céu, árvore de árvore e chamou de macaco babado de homem. O homem aos poucos aventurou-se, levado pelo seu libido, a tentar contactar Eva para a convidar a criar uma nova espécie à qual se daria o nome de Humanidade. Ela sorriu e pediu tempo para reflectir no assunto. Aceitou finalmente para ocupar a sua vida solitária e para se divertir com as ridicularias primitivas do macho.
Desde desse dia que o homem tem tentado atingir o inalcançável patamar da perfeição que a sua consorte se fixou. Mas a pedido da mulher, Deus secretamente enviou para a Terra uma nova casta à qual se apelidou de Homem, para satisfazer as insaciáveis necessidades das mulheres. Termino este capítulo com um apelo aos homens: Por favor, deixem o trabalho para os verdadeiros Homens.
Um Amém †.

(texto do Irmão Público)

segunda-feira, julho 03, 2006

Crónica das Folgas III

Empáfias.

Algures em 1924, num dia acinzentado de Maio encontrava-me nos montes secos de Évora, pastando o rebanho pachorrento e pensando em Sofia. Imaginava o retrato físico daquela absurda perfeição: um corpo esguio, intenso e maleável, seios agressivos, olhos vivos de pecado, uma beleza demoníaca, uma iluminação de loucura.
Em fantasias extravagantes e dignos de filmes de comédia, uma das ovelhas passou por mim, como se me estivesse a pedir algo. E como quem não quer a coisa, ficou de costas para mim. Notei nesse momento, que já me encontrava erguido e com tendências vaidosamente tolas, e eis que me perdi em invenções obscenas quando ouvi balidos lúbricos vindos da Ovelha. Olhei para o Céu nebuloso e convenci-me que Deus não me estaria a controlar, tirei os suspensórios e soltei as amoras.
Novos balidos de prazer misturados com apelos à Sofia imaginada, ecoavam pela pradaria Alentejana, e nesse dia quente perdi a candura adolescente de um rapazinho de oito anitos.

Voltei à vila, questionando a pureza dos meus actos e como tal decidi telefonar ao meu tutor Padre Fred. Encontrei uma lista telefónica, abandonada num canto escuro da casa onde me tinha instalado. Desconfiei da idade da Lista, ela já apresentava as páginas amarelas, mas com sorte encontrei o número do convento eclesiástico.
Telefonei ao Padre Fred que de imediato me congratulou pelos meus feitos. Enalteceu a minha postura matura e elogiou a minha tendência machista. Fiquei orgulhoso, afinal já era um homem.

No dia seguinte, deitado no tapete verdejante, via o céu solarengo e digno de um Verão perfeito. De súbito, uma aparição. Sofia ao longe encaminhava na minha direcção. Tinha um vestido branco, colado como borracha. Uma forte adstringência apertava-a contra si, endurecia-lhe o boleado das curvas. Ao aproximar-se murmurava um desejo de me possuir, um desejo de controlar o rapazinho infame, violador de ovelhas em tão tenra idade.
Ela, de gatas, ficou de costas para mim e esperou pelo meu ardor que só eu, o eleito divino, lhe poderia dar. Olhei para o céu e disse sorrindo de satisfação pessoal: «Deus, vê e aprende». Após isto a palavra amor ganhou novos sentidos e novos significados, aproximou-se da definição carnal que hoje todos nós conhecemos.
Agora sim, orgulhei-me por ter passado de homem para Homem.

(texto do Irmão Público)

sábado, junho 24, 2006

Comunicado

A Irmandade Inquisidora decidiu dedicar o próximo mês de Julho aos textos ainda por publicar, deixados pelo nosso Irmão Público.

terça-feira, junho 06, 2006

Êxodo |†| Die Leiden des Jungen Mose

A manhã transformava-se na tarde quando um vislumbre de beleza única surgia do nevoeiro matinal, era morena, barriga lisa e sorriso meigo. Moisés sentia a partir daquele momento aquilo que nunca antes lhe deram a sentir: Amor, na essência máxima do termo, e de imediato se apaixonara.
Moisés perguntava-se: porquê?! Já vira muitas montanhas magnificamente belas, mas nunca vira uma montanha morena, barriga lisa, voz e sorriso tão meigo tal existência só poderia ser obra do útero de Deus.
De imediato compreendeu o sentido da vida e o caminho para a felicidade suprema que lhe permitiria entrar na dimensão do paraíso; para alcançar isso, era estritamente necessário conquistar aquele épicos 1Km69m de montanha tão divinal. Moisés estava incrédulo, agora tinha um sentido para a sua vida e sabia o que bastava para alcançar a felicidade eterna, perguntava-se se mereceria tamanha dádiva de Deus.

Moisés, muito a medo e demasiado virgem no mundo do alpinismo, iniciou sua subida aquela divina e montanha única, sabendo que ao conquista-la ganharia o maior tesouro alguma vez existente. A meio da viagem sentou-se para descansar no interior de uma húmida caverna mal-cheirosa, e ai do vazio escuro ouviu: PUUMMMMMM, e Moisés fora projectado 1m69cm de altura cheirosa e voltou a aterrar no ónus da caverna em questão. Desorientado, roubou um jornal de 10 notícias a um mendigo que ali dormia chamado Goethe. Preparava-se para o ler quando a montanha se mexeu e disse em gritos histéricos: - AVASSÁLA-ME OS TOMATES Q'EU QUERO METER OS CORNOS À MINHA NAMORADA! Surpreendido, Moisés excitado foi procurar pelos tomates para os avassalhar, mas aconteceu aquilo que não vou censurar: a montanha enfiou a sua cabeça pelo cu do profeta acima e arrancou-lhe a próstata à dentada. Moisés gritou mais alto que uma vaca a ter orgasmos múltiplos, e os tenebrosos gritos induziram a população das cidades vizinhas em pânico, e assim se iniciou um gigantesco êxodo em direcção à montanha; era lá que se encontrava o profeta peidado e desprostado, era o novo líder, o salvador.
Moisés, sem tampões para estancar o sangue, encaminhava agora a população até ao topo da montanha, mas uma encruzilhada os esperava: tinham de atravessar um Mar Azul. Era impossível atravessa-lo, mas deu-se um milagre. Assim que o profeta iniciou a travessia, as águas azuis enojadas pelo cheiro afastaram-se do seu caminho, e a população seguiu na conquista da montanha. Moisés agora que mudara o nome do Mar Azul para Mar Vermelho estava prestes a alcançar o seu objectivo, conquistar aquela divina montanha. Esta mostrava-se disponível e excitada, e quando Moisés se preparava para a beijar...

Os ponteiros do relógio avançaram para lá do 12, e agora era um novo dia, era 6-6-6... A montanha afinal não era uma montanha, não era uma tomateira, não era uma vaca, era a Besta. Todo aquele tempo a fazer-se passar por uma amiga, estatuto esse que lhe permitia ouvir palavras agradáveis que elevavam seu ego, seu falso pudismo escondia uma luxuria insaciável. O seu sorriso, a meiguice, a ilusória beleza única, não era mais que um isco que lhe permitia agora iniciar o Apocalipse.
Ninguém está seguro neste dia, e quem lê este post, no fundo sabe o que significa o arrepio na espinha que sente neste momento. Morte, Morte, Morte, Morte, Morte, Morte; será mais que o fim quando a “montanha” disser: - Deus, nunca mais quero falar contigo!

quinta-feira, maio 25, 2006

Comunicado

Por motivos de consternação, a Irmandade Inquisidora encontra-se de Luto pela recente perda do autor responsável pelos textos do Irmão Público. Contudo, em sua homenagem, a Irmandade Inquisidora continuará o projecto.
Obrigado pela compreensão.

sábado, maio 13, 2006

Génesis |†| Reflexo Jethro Tola

O R? Os franceses hà cerca de meia-dúzia de milénios (que é mais ou menos 6 séculos; isto é, 6 décadas; mais precisamente 6 anos) atrás invadiram a Suíça armados com parvos, senis, políticos e suecos. Os suíços desprevenidos, não tiveram tempo suficiente para desviar o país para o lado, de forma a despistar as armadas invasoras e, com apenas dois soldados (só falando francês) a proteger a porta da Suíça, foram incapazes de suster os soldados Suecos da armada Francesa que eram imunes à mais impetuosa arma Suíça; assim sem dificuldades invadiram a Suíça e capturaram a Impetuosa Arma.
O R? Já na posse da Arma Impetuosa, a armada francesa lá regressava à sua capital marchando de forma esquisita, mais descomplexados com as suas ridículas pilinhas, cantarolando e flatulando hits da Edith Piaf (Non! Lien de Lien. Non ! Je ne leglette lien...). Chegados a Paris, o padre Napoleão precipitou-se logo que nem uma maluca para a Arma Impetuosa enfiando o dedo no buraquinho da mesma, activando-a; instantaneamente todos os franceses começaram a falar de forma estúpida, e todas as nações do mundo unanimemente a invejá-los por isso! (Non! Rien de rien. Non ! Je ne regrette rien...)

Portugal, por motivos militaristas, durante décadas investiu à grande e à francesa no Ministério da Semântica, tentando enriquecer a sua semântica a um ponto semelhante ao francês. Não conseguiu! Apenas conseguem dizer o tão temido R, juntando dois Rs. Para os paramilitares arcaicos da armada, o R para ser uma arma irreversivelmente matadora, teria de bastar um único R para se dizer um R. Não ocorrendo assim, era errado usar a sonoridade para razões militares, assim, o ministério virou-se para a arte dos Arraiolos.
Franceses temerosos de perder a exclusividade do seu poder semântico, atacaram Portugal com a Impetuosa Arma para dizimá-lo... algo correu mal! Em Portugal começou-se então também a dizer os Rs com um único R no inicio das palavras e não ficou a falar de forma estúpida, apenas parecido com o Moçambicano. O efeito da Impetuosa Arma fora reflectida por Jethro para as Ilhas dos Açores. Ai sim, ficaram a falar de forma tola.

A Impetuosa Arma foi agora escondida pelos... gosto de ti... franceses, debaixo de uma... querida,... coisa chamado... vem-me fazer um... banco... anilingus ... por motivos de segurança global... se faz favor.. agora são guardados pelos... senão chamo o... BEN.

Por razões relacionadas com intreferencias no rolantim e à irresponsabilidade de outrem, recente post terá de ficar por completar.
Agradecido pela compreensão.

quinta-feira, abril 27, 2006

Somos uma Instituição de Referência de Instituição uma somoS

segunda-feira, abril 17, 2006

O Fim

A Parábola.

Despertado pelas malogradas vigílias que me atormentam de noite para noite, cogitei no milagre do subconsciente. Uma voz murmurava incessantemente pelos corredores da razão, perdendo-se entre devaneios caminhos que divagavam numa procura. Nunca atingi nenhum propósito, nunca percebi a tal procura, nunca encontrei o sentido daquele divagar. Mas de noite para noite, sucedia o mesmo acontecimento sem que houvesse alguma iniciativa contraditória. Eu estava afoitamente preso a um padrão racional onde brotava uma extensa rede conceptual que se emaranhava numa complexidade de sentimentos e emoções. E cada vez que me consciencializo destes pormenores, compreendo que estou sozinho nestas dúvidas infundamentadas que apelam uma reestruturação da razão humana. É preferível imaginar questões fúteis como penteados, intrigas, o trabalho e afins, mas numa perspectiva fria essas questões não são nada mais que matéria leviana sem importância para as verdadeiras crenças da nossa raça.

Nós, seres humanos, não somos objectos especiais de uma criação divina, nem tão pouco somos animais como quaisquer outros. Temos um dom único, que geralmente se confunde com o conceito de inteligência, mas este conceito ou está mal definido ou então não nos decreta como Humanos, pois cientificamente ficou provado que outros seres terrestres denunciam formas de inteligência primitiva. O nosso privilégio, antropologicamente escrevendo, está na abstracção que é para todos os casos um conceito puramente humano. Nenhum outro ser consegue separar mentalmente uma parte de um todo, com excepção ao Homo Sapiens. É neste ponto que biologicamente se ramificaram os hominídeos Homo Sapiens e Homo Neanderthalensis, e foi a diferença de estrutura mental que extinguiu um dos ramos, permitindo ao outro se desenvolver em novos estados racionais.
Contudo, os apelos meramente animais de um ser divido entre a razão e a necessidade biológica, atrasaram o seu desenvolvimento cognitivo através de indigências relacionadas com um proteccionismo exagerado: a religião e o despotismo. O ser humano limitou-se a ele próprio, talvez por ter receio de controlar o instrumento mais poderoso que havia, há e haverá na face da terra: a razão cognitiva.
Historicamente é possível localizar uma época que conduziu a um exponencial crescimento nas faculdades do conhecimento: A Grécia Antiga. Mas o que se sucedeu há vários séculos não foi obra do acaso, mas sim uma consequência de uma nova filosofia de vida. Se a descoberta do fogo permitiu aos primeiros hominídeos alcançarem a abstracção necessária para sobreviverem, a descoberta de uma paz social e de uma democracia urbana inovou a mente humana na procura das respostas às questões relevantes.
De novo as fraquezas do homem se sobrepuseram às necessidades humanas em contingências agrupadas em sentimentos de proteccionismo e de ordem irracional.

Há séculos antecedentes, escreveu-se que a religião seria o ópio do povo, eu proponho que a sociedade é a seringa da humanidade. Nós, seres humanos, estamos fadados a um limite imposto por nós mesmos, estamos condenados a uma parametrização falsa de conceitos falsos e de necessidades nefastas.
Entre alguns estudos que alimentam uma sede intelectual que necessito para compensar o tempo que ainda disponho e que se apresenta extremamente limitativo comparando à maioria dos que me rodeiam, achei um bode expiatório que deverá arcar as responsabilidades de uma sociedade moderna sem bases para desenvolver a razão imperativa. O malogrado dá-se pelo nome de Réne Descartes e influenciou um legado de seguidores em premissas possivelmente erradas. Pela primeira vez o ser humano, como ser único e homogéneo, dividiu o pensamento em duas facções: razão Ocidental e a razão Oriental.
Descartes, viajador e visionário, acreditava que a razão humana devia estar solidificada em verdades absolutas que teriam de percorrer um processo isento e imparcial para finalmente serem definidas como verdades inquestionáveis. Mas o dito Francês, olvidou-se de um pormenor, o processo isento e imparcial nunca seria verdadeiramente isento e imparcial quando pessoalmente ele não compreendia alguns factos que ultrapassam o homem, a Natureza, e sem se questionar justificava com base em crenças religiosas.
Através deste agravo, a razão humana seguiu um novo caminho quase irrecuperável, em que o homem se definia como um objecto de produto mental separado do resto da realidade. Exemplificando: um sujeito quando fixa um objecto, desloca o seu consciente num espaço entre o sujeito e o objecto, e depois retorna ao seu local de origem, procurando na sua rede conceptual o significado do objecto fixado. A isto denomina-se de razão Ocidental. O homem está separado do resto do mundo.
A razão Oriental acredita que o homem pertence ao mundo, em conjunto com todos os objectos, numa harmonia equilibrada que não deve ser perturbada.
Réne Descartes adulterou a razão cognitiva em processos matemáticos, desprezando conceitos que não entendia, e consequentemente provocou alterações significativas no ensino francês e mais tarde no ensino globalmente ocidental, realizando uma perda abrupta nos conceitos de abstracção, que em tempos contemporâneos ainda se subsistem na pele artística e cultural.

Hoje, o Homem não entende completamente a ideia abstracta sem desconfiar que a entende parcialmente quando se ri de uma anedota.
Hoje, o Homem confia que a abstracção está entregue a uma elite capaz (os artistas) como confia que as questões sociais estão entregues a uma outra elite capaz (os políticos).
Hoje, o Homem vive em clima de terror psicológico, levando-o acreditar que estará seguro se seguir as normas impostas por um sistema que não colapsa.
Hoje, o Homem é ensinado a não pensar, substituindo a verdadeira razão cognitiva por um agrupamento de preocupações fúteis.
Hoje, o Homem é controlado, preso, fechado, domesticado pelo Homem.
Temos que ouvir e entender os murmúrios que ecoam na nossa mente, temos que largar os preconceitos que nos impingem a Lei do Não Pensar, temos que nos libertar de nós próprios assumindo a cultura humana que nos representa na realidade, temos que tomar à força o subconsciente que nos cega a realidade crua e fria, formando um envolvente e imenso nevoeiro, temos que assumir a verdade e a mentira que nos simboliza nesta imensa cascata social, temos que urgentemente reestruturar a razão humana antes que a saída deste enorme buraco desapareça com a distância, temos que procurar as verdades puras, temos que nos salvar.

O caminho está traçado, a verdade pura está ao nosso alcance, a razão humana é ainda um instrumento, só nos falta abrir os olhos e percebermos que aquilo que vemos são as nossas sombras projectadas numa parede, e que se à nossa frente há sombras, atrás há luz! Mas, e nestas filosofias há sempre um mas, nada disto será possível se não houver uma discriminação mental.
Por discriminação mental, defino como o processo que me permite duvidar de toda a minha rede conceptual e de todas as minhas faculdades mentais, que me permite desconfiar da minha consciência e das segundas intenções que influenciam os meus comportamentos e as minhas acções, manipuladas pelo meu subconsciente. Assumir todo e qualquer erro é o caminho que devo seguir, assumir-me como um falhanço natural é o passo para o meu aperfeiçoamento intelectual. Devo atingir o máximo de frieza pessoal para não me deixar manipular por conceitos atractivos mas falsos, ou por dicotomias falaciosas: bem ou mal, amor ou ódio. A frieza é o único meio para compreender a realidade oculta, sem me deixar cair em tentações emocionais, a frieza é o único conceito que me impermeabiliza contra a metafísica exagerada.
Podem acusar-me de ser frio, insensível, cínico, mentiroso, contraditório, hipócrita, mas na busca da verdade absoluta ninguém me acompanha a passo. A sede da verdade absoluta corre-me nas veias, e articulando a mente fria em processos demasiado avançados para serem compreendidos (quanto mais refutados!!) hei-de atingir uma exprobração universal a todo a rede conceptual que nasceu em mim e terminará em mim. Seguindo a razão humana deverei controlar todas as variáveis que estão dispostas numa enorme equação natural e não matemática, manipulando as minhas necessidades primárias. Apelidem-me de arrogante, de pretensioso, de radical, pois eu irei definir-me de ambicioso, de intelectual, de alucinado.

Do chão emadeirado, passei noites a vaguear, a questionar os meus porquês em vez de os tentar responder, sem aviso e ajoelhando-me perante a divina sabedoria percebi que estou a milhões de anos-luz das gentes normais em simplesmente assumir-me como um erro. Sou um erro e não tenho óbvios problemas com isso, pois entendo que a partir dessa verdade absoluta posso cumprir o plano divino da minha perfeição. Se não acredito em criadores e se comprovo com o intelecto que existe uma realidade (que não aquela que vemos!) então porque não me auto-denomino de Criador? Quem conheço melhor do que a mim próprio para nomear o Criador? E se a realidade que vejo não é aquela que me circunda, então não fui eu que a criei para proveito próprio? Eu sou Deus! Deus de mim e Deus do mundo que criei! Sou divino e sou um paradoxo!
Como posso ser perfeito se para atingir esse facto assumi-me como imperfeito? Questão paralela quando percorro caminhos ainda menos lúcidos: faz sentido nascer para morrer? O início contrário é o fim oposto? A frieza faz-me acreditar que a mente ainda não se separou das questões da metafísica, e que para todos os efeitos eu não atingi nada, embora tenha percebido que há de facto algo para atingir e que não se mistura com frivolidades quotidianas.
A cabeça lateja fragmentos da razão, pulverizando a ignorância cega, numa procura infinita das verdadeiras intenções humanas num mundo pintado com as cores do arco-íris. A depressão é a bênção da intelectualidade, e com uma mente instruída sobre a base de um frio processo cognitivo, vou roçar o céu ilimitado.
Liberto-me através dos pulsos, a minha essência pinga o chão! Estou a fugir a uma realidade para entrar numa matriz, estou a construir a ponte que me vai ligar o consciente e o subconsciente, e farei a viagem da minha vida pulsando o sangue livre, segurando a arte que me pertence. E todos que se aperceberão será tarde de mais, são caminhos sem retornos que ninguém compreenderá a sua essência. E quem ache que compreendeu as minhas divagações, desengane-se. Não sou deste mundo, a minha genialidade não vos pertence, a minha essência não se visualiza. A Brutalidade da doença apagou-me a mediocridade de uma vida limitada em subjugações inúteis, e quem não viveu o que vivi nunca compreenderá. Ler palavras não implica percebê-las. Assumam o erro.

Um Adeus.

sexta-feira, abril 07, 2006

Génesis |†| Entrevista com deus

O jovem Profeta Comendador Job e deus em silêncio olhavam um para o outro, esperando que o realizador do programa fizesse a contagem descendente para o início do programa. Deus, sem roupa, remexia-se na cadeira expressando-se com um massajador facial, descontente por não ser um divã; é que deus em toda a sua vida se sentou em divãs. Job, sem roupa, envergonhado, olhava incrédulo para seu pénis ultra-erecto e volumoso, duvidando da sua masculinidade e, arrependendo-se por permitir nudez na entrevista.
Os comerciais ricos em sensualidades orgásmicas encaminhavam-se para o fim, o realizador iniciara a contagem decrescente, e... "ACÇÃO!!!" - gritou um camaramen excitado. Assim, iniciava-se a entrevista de Job a deus:

- Bom dia!

- Bom dia, não!de repente fez-se noite. - Boa noite!
- Desculpe meu Senhor, boa noite!
- Arhh, não me trate por meu senhor que eu não sou seu, e nem Senhor.
- Desculpe Senhor. – fazendo uma vénia de arrependimento.
- Arhh... NÃO. Isso dá-me gases!
- Desculpe!
- OUTRA VEZ!! Desculpe também não. Estou farto que estejam sempre a pedir perdão, e que vos proteja, e que me tratem por Senhor, por Todo Poderoso, por Deus e sobretudo por Pai, pois eu nem sequer sou...
- Desculpe! Vamos começar de novo. – Fez-se uma pequena pausa, e... – Boa noite!
- Boa noite, não!de repente fez-se dia.Bom dia!
- Lamento imenso que...
- Arhh, PORQUE É QUE EU ESTOU A FALAR EM AZUL?!?!?
- Porque faria de si, mais homem.
- Ponha rosa. É que eu sou...
- Já está.
- Obrigada!

quinta-feira, março 30, 2006

Efeméride III

O Orifício dos Alambiques

Refugiado num canto sombrio do meu antro, estava eu apoiado no gramofone oferecido pela minha meia-tia-bisavó, escutando The Art of Fugue de Johann Sebastian Bach. Enquanto eu cogitava na composição musical em estilo polifónico, na qual se desenvolve um pequeno tema, reproduzindo-o em imitações livres, os meus amigos roedores aproximavam-se para auscultarem as obras sinfónicas; encontrávamo-nos em clima de concórdia. Um estampido metálico interrompeu a nossa conjuntura musical: alguém bateu à porta. Ao me levantar, sacudindo o pó do meu hábito cenobita, dava autorização ao desconhecido para entrar. A Porta abriu vagarosamente e revelou uma perna despida, "Ai" exclamei mentalmente, depois a outra perna, "Ai" exclamou o espectro de João Paulo II, e finalmente entrou o resto do corpo franzinamente perfeito com cabelos saborosamente cantados, "Cof Cof" tossiu a coruja engripada.

"O Consultório Sentimental é aqui?" interpelou ela amoravelmente. Confuso no meio de tanta dúvida lembrei-me de ter aberto um consultório muitos anos atrás com o intuito de praticar boas acções ( a fêmeas claro). Respondi: "En effet, vous pouvez entrer que j'aurai tout le plaisir en vous recevant", mas... hum... hã? Que raio? Que língua foi esta?
Ela ficou surpreendida, mas mais do que eu não. Retocou-se na face ao passo que eu tentava perceber a origem da erva fumadora: Monte Quénia, floresta Matabixo CaíuPum!
Ela falou-me do seu amado, falou-me do desprezo que sentia, falou-me da falta de afecto e carinho, abanava eu a cabeça de cima para baixo em sinal de compreensão ( quando na verdade era para apreciar aquele deslumbre corporal). O empecilho galanteado dava pelo nome de Reginaldo, e como homem que não é achei que merecia uma punição.
Perguntei-lhe se ela já teria sido abençoada pela Irmandade enquanto eu despojava a minha roupa eclesiástica. Com um sorriso matreiro, ela respondeu-me que não mas estaria aberta a novas experiências. E ela abriu-se mesmo!

quarta-feira, março 22, 2006

Génesis |†| José - o Interprete de Sonhos

José reagia mal à cafeína, e sempre que juntava o sono de vários dias a um copinho de café, entrava em psicose ultra-sociabilizante, iniciando conversas com toda a parafernália de seres existentes ou ainda por existir. A patologia era de tal ordem gravosa que ele pressentiu doença, e achando que deveria consultar um especialista, foi à Bruxa.
A Especialista (Bruxa) era tão especialista que até pagou propinas para ser especialista, e depois de ter canudo de especialista andava por aí a fazer serviço público privado especializado em curar doenças dos doentes, dando doenças a quem tinha deficit de tal especialidade sagrada que é, a doença.
Prognóstico do leigo (José) depressa se tornou diagnóstico especializado da Especialista. Para ser curado, José havia de pagar o serviço público da Especialista, para esta pagar as dívidas que tinha contraído ao pagar o serviço público que lhe forneceu o canudo de especialista (licenciatura). A cura era simples, o leigo José tinha de tomar um único supositório laranja, desenvolvido por especialistas que era tão especial que até curava aquela doença em especial, e lá o leigo José enfiou o especial supositório no seu cú ultra-especial.
José realmente curou-se daquelas psicoses ultra-sociabilizantes, e inclusivé deixou de beber café, passando agora a dedicar-se a 100% à função de que é especialista: Interprete de Sonhos. Desde que se curou, o seu mais assíduo cliente passou a ser uma bruxa leiga, especialista em curar doenças, e esta foi lá para ter seu sonho interpretado pelo especialista José, que era conhecido por todo o deserto da Galileia por ser especialista naquilo que ele era especializado de canudo e tudo - interpretar sonhos. Canudo esse que cujas propinas, haviam sido pagas com a rodagem não selectiva das tropas romanas por parte da mãe de José, pois ela era especialista em actividades não portadoras de canudo, mas portadoras de várias doenças. José lá interpretou o sonho da Bruxa, ficando esta a saber que sua mãe fazia a rodagem às tropas romanas, que ela para além de portadora de doenças, não tinha canudo e, para ela, era mais especial o filho especialista, do que a filha especialista.

Alguns anos depois...
A especialista Bruxa deixou de ganhar a vida à custa do canudo e mudou de especialidade: passou a ser portadora de doenças ao rodar os crentes da paróquia do bairro onde ficou conhecida por ter curado o padre; embora nessa especialidade nunca possa vir a ter canudo mesmo que estude muito, já tem como ganhar a vida e pagar a saúde da sua mãe, que teve o azar de ter sido consultada por um especialista que dá pelo nome de Médico, passando agora a ser ineputável para o trabalho.
José; especialista em interpretação de sonhos; terminou seus dias num manicómio a curar-se duma psicose ultra-introvertente provocada por um esgotamento nervoso, após este ter feito uma especializada consulta ao Rei Salomão, que afirmava falar com Deus nos sonhos. O Médico; que tinha o canudo de especialista; diagnosticou-lhe que o problema da psicose ultra-introvertente era provocado por excesso de gás propano no seu cú ultra-especial e, furiosamente alertou o leigo José que só deveria consultar "verdadeiros" especialistas, e não esses ditos especialistas para-físicos crentes de transcendências para-humanas, mesmo que um deles seja sua Irmã. O Médico; já mais calmo; acrescentou ainda a José que, aquilo que ele tinha no seu cú ultra-especial era uma botija de gás e não um supositório especial.

quarta-feira, março 15, 2006

Os Decretos III

Reflexo da Madre Del Dios.

O tamborilar das teclas soava pelo retiro. A densa porta fechou sob um fragor metálico, saiu a mulher-a-dias do dia anterior. Pensamentos escavavam o pedregulho da falta de inspiração e eis que subitamente nasceu do vazio uma luz, que se aproximava cada vez mais rápido, e eu cada vez mais absorvido pela estupefacção. Cogitava naquele milagre enquanto a luz se dirigia a mim como se eu fosse o escolhido para a exprobração universal, sonho de todos os Inquisidores.
«Aqui está a Luz» exclamava eu, e nesse momento a luz acertou-me entre os olhos, atirando-me contra a secretária (abençoado seja esse teu peito). Admirado tentei perceber o que se tinha passado, e verifiquei que a luz não passava de uma lanterna. Dos corredores do convento ouviam-se gargalhadas travessas dos Irmãos Iluminado e Gémeo.

Regressei ao trabalho. O trincolejar do teclado divulgava ânimo das minhas responsabilidades literárias. Mas continuava perdido sem achar o caminho de côdea, e agora? Necessitava de ajuda divina para me lançar na genialidade artística. E entre meditações, de novo nasceu uma luz do vazio escuro do meu retiro. Atirei-me de novo para cima da secretária (hum.... obrigado disse eu) com a intenção de me escapar da luz ameaçadora. Estranhamente esta luz falava e tinha formas graciosas; Ruiva de cabelo, especialmente preparado para atingir a fraqueza masculina. Um corpinho desenhado com o lápis mais fino das terras abençoadas por Deus, Nosso Senhor. Nela os suspiros ganhavam outro sentido diferente do habitual. A sua aparição trouxe ao meu retiro um Jardim Rosado, estava na presença da Mãe de Deus!
Corou após a minha jura de fidelidade, e explicou a sua vinda. Ouvi mas não percebi, fui levado em fantasias com a sua nobre e profeta voz. Então repetiu, e eu de novo fantasiei com os seus arcos perfeitos. Experimentou o desenho, talvez eu conseguisse perceber o que ela me vinha explicar, mas infantilmente roubei-lhe o lápis e desenhei um coração. Confessou que o último garboso que não se conteve com ela tinha sido crucificado, há pouco menos de 2000 anos.
«Zezus?» disse eu, ao que ela abanou afirmativamente com a cabecinha.

Entre devaneios devido à minha surpresa, ela finalmente explicou o motivo que a levou manifestar-se na terra dos vivos: a minha inspiração! Apontou para um espelho pousado no canto do meu refúgio, e pediu-me para exprobrar aquela invenção maquiavélica. Fiquei confuso, o que haveria de tão errado com um espelho?! Ela sorriu melosamente, e aproximou-se graciosamente de mim. Com as suas mãos ardentes cobriu-me a face e lentamente osculou os seus lábios nos meus, nesse momento perdi-me em veemências platónicas até misturar pensamentos lúbricos, e a pressão do beijo aumentava enquanto o rio do tempo escoava em rápidos. As sugestões inspiradoras brotavam na massa cinzenta, como se estivesse a fazer pipocas! E quando finalmente levantei as pálpebras, descubro quea Mãe de Deus desaparecera deixando-me sozinho (com a secretária) no sombrio retiro.

O espelho, essa obra perniciosa fixava-me com os seus reflexos. Lá está, os reflexos! Há semelhança entre o afecto carnal e o abominável espelho, ambos multiplicam a existência humana! Deus, Nosso Senhor, repele essas condutas e mais ninguém se dignificou a condenar o instrumento de tal perversidade como o espelho. Comecei a minha risada cheia de pensamentos luxuosos de poder ilimitado. Subitamente vejo a Luz, «a minha Deusa!!» exclamava eu histericamente. Fui arremessado contra a parede. A lanterna de novo!! Dos corredores novas gargalhadas, Irmão Xanax e Irmã Dade.

quarta-feira, março 08, 2006

Irmão אלוהים |†| Demanda d'Sine Significatu Sacratu Prophetia

A mensagem profética dizia: "Numa manha de madrugada um imenso nevoeiro dará o sinal para o início da revelação...".

Meus antecedentes Irmãos esperaram esse momento em vão, para todos eles a morte chegou-lhes antes do dia de nevoeiro. Foi a Mim que coube esse privilégio, ver o Histórico nevoeiro que iniciou a épica demanda pela revelação da Verdade.

Acordei, era de manha e sentia o meu corpo totalmente saciado pela hibernação hexazonal de Verão. Espreguicei-me, arregalei os olhos, e iniciei o treino visual de focalização ao olhar atentamente para os Irmãos um a um: o Irmão Público dormia de pénis visivelmente erecto por baixo dos lençóis a gritar baixinho: "Eu é que sou, eu é que mando... bebé!"; depois observei a Irmã Dade, que embora já acordada não conseguia sair da posição com que abrira os olhos (fazendo espargata); depois foi a vez de focar o apático Irmão Xanax, ai desloquei um olho; seguiu-se finalmente o Irmão Gémeo, mas entre o denso nevoeiro vi mais do que queria e continuo sem compreender como algumas pessoas conseguem dormir vestidas; impossível foi focar o Irmão Iluminado que dormia num quarto aparte sozinho para não importunar o nosso sono que é sensível à luz. Algo me dizia que aquela manha era diferente de todas as outras, importunava-me aquele denso nevoeiro dentro e fora da Irmandade. Então percebi tudo, aquele dia era a génese da revelação, era o inicio da épica demanda que agora se abatia sobre a minha existência, era o primeiro dia do resto da minha vida, era o início de uma nova era...
Nunca fora treinado, mas instintivamente sabia o que tenho que fazer: revelar o passado, o presente e o futuro tal como ele foi, é e será.

Excitado pela chagada do momento que tanto eu esperava e pelo qual dava razão à minha existência, contei a boa nova a todos os Irmãos da Irmandade que depressa se deram ao trabalho de me dizerem que era o único que via o nevoeiro e que o Xanax não deveria ter dormido de rabo virado para mim. Apercebi-me logo do obvio, eu era o escolhido, era apenas a mim que cabia cumprir a demanda desta profecia. Então apesar do denso nevoeiro, via claramente o caminho que teria de percorrer, comecei por escrever a verdadeira Histórica dos livros sagrados: «Adão, Eva e Isaac», «Arca de Noé», «Que Abraão... do puto», «Que Abraão do filho Maria Isaac», «Ciúmes de Ismael» e «Olá Jacob!» são os textos que já foram libertados para a verdade, ajudando várias almas a converterem-se aos ensinamentos da Irmandade Inquisidora.

Algo corre terrivelmente mal. A informação do inicio da revelação já se propagou até aos ouvidos de seculares instituições místicas, que em nada lhes agrada que a verdade seja tornada propriedade intelectual dos povos do Mundo. Sei através das propriedades transsensoriais do album Dark Side of the Moon misturado com mescalina que, os emBatados Erradamente Nobelizados (BEN), ou também conhecidos como os Quatro Cavaleiros de Egas Moniz furiosamente me procuram nos seus cavalos Preto, Castanho, Amarelo e Branco, para me impedir na minha sagrada missão. Enumeras histórias dos BEN correm os séculos de boca em boca tornando a realidade em mito, diz-se que por onde passam os recém-nascidos implodem, os cegos passam a ver, as almas com corpos defuntos são eleitas por povos democratas, e que o Cavalo Amarelo matou 333+333 pessoas ao lançar analmente uma densa flatulência de éter no interior de uma tenda onde se celebrava um casamento heterosexual.

Sei que se for apanhado pelos BEN sou um Irmão morto, e isso agora era uma maçada enquanto tenho um pão de ló no forno, não quero queima-lo. Imaginem que era agora apunhalado com a lança de chamas, escrevia o quê? aahhhhhhhh? Não pode ser, tenho uma sagrada missão por cumprir e pretendo terminar este post com um ponto final.


 
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